De que forma a música, os livros e os filmes serão consumidos no futuro? Essa é uma das perguntas chaves que o setor de entretenimento terá que responder - e rápido. Nesse novo contexto, em que o conteúdo digital está a um clique do consumidor, o modo de produção tradicional fica cada dia mais obsoleto. É hora de empresas como gravadoras e exibidores de filmes se reinventarem. A consultoria Deloitte pesquisou a fundo o setor no trabalho Media Predictions - TMT Trends 2008 e sugeriu mudanças para que as companhias se adaptem a essa realidade. No caso da música, o processo de digitalização intensificou a pirataria. Ficou fácil e barato fazer downloads ilegais da internet ou copiar um CD para vendê-lo na rua. Desde 2004, o setor encolheu 28,9%. No ano passado, as vendas físicas de música mundiais totalizaram US$ 15 bilhões. As redes de cinema também precisam aproveitar o momento para rever seu modelo de negócio. Segundo a Deloitte, o advento do projetor digital - há cerca de 150 salas com esse tipo de equipamento no Brasil - trouxe novas possibilidades. Os filmes podem dividir as salas de cinema com outro tipo de programação, como a exibição de um show ou um evento corporativo. Porém, a tecnologia digital não parece tão promissora quando o assunto são os livros, revistas e jornais. "Um dos principais obstáculos para a adoção em massa do e-book (livro digital) em 2008 e nos próximos anos pode estar ligado à profunda afeição que as pessoas possuem pelo livro tradicional de papel", afirma a pesquisa. Em vez do consumidor em geral, a tendência é que o livro digital - um aparelho com uma tela especial para leitura - interesse mais a públicos específicos. Pode ser um instrumento prático de consulta para quem usa obras de referências no trabalho, como dicionários, manuais técnicos, textos acadêmicos ou títulos jurídicos. No Brasil, uma editora pequena, a Giz Editorial, tem se arriscado nesse mercado, praticamente inexistente no país - nos EUA, a Sony fabrica o e-book e a Amazon oferece um aparelho de marca própria. Ednei Procópio, dono da Giz, trouxe um primeiro lote da China com sua marca própria, a e-BookReader, em meados do ano passado. Até agora, no entanto, o empresário vendeu apenas 30% do material importado, mesmo tendo diminuído o preço de R$ 999 para R$ 749. "As pessoas preferem um notebook, ainda mais após a queda do dólar, ao e-book", afirma. Os compradores do livro digital no Brasil, diz Procópio, "são principalmente profissionais liberais ou técnicos que precisam ler manuais". Mesmo assim, ele reconhece que ainda não há grande demanda. "Não tenho pressa em vender o restante do lote. O mais importante, agora, é criar o hábito de consumo desse equipamento."
Portal Abigraf
Portal Abigraf
Nenhum comentário:
Postar um comentário